13 dezembro 2009

Elisa Lucinda

Da chegada do amor


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Eu te amo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999.

" ...A felicidade é uma mentira e a mentira traição..."
Assim cantou Renato Manfredini

Para alguns esta frase soa um tanto... Perjorativa, isso depende da leitura e do contexto, em meu inábil ver ele me soa como algo verdadeiro, porém alguem sabe responder o que é a felicidade?

Ao meu ver a felicidade ela é como o humor, uma visão de mundo...

E sim tenho tido uma visão de mundo bem melhor, mas, eu sou mal humorado sim... Então não torrem os pacovás. Ver a força com que alguns amigos e outros que me são mais que bem quistos lutam pela vida, não apenas no quotidiano mas na saúde... me enchem de felicidade e forças para que eu mesmo não desabe e desista, mesmo quando não há para onde correr... Fazer como Fernão Capelo... Nunca desisitir!

Ileniel Nunes

ileniel@hotmail.com


Ah!.... O poema? ele é uma dedicação... para alguem que longe está, mas ao lado sempre.

2 comentários:

Anônimo disse...

A minha idéia de felicidade é realmente restrita á fatores como falta de tempo, alienação e indisposição. mesmo porque a felicidade não existe sempre, ela aparece e some , são minutos que nos envolvem, nos alimenta e depois nos trai.

Amor e outros delírios disse...

Felicidade é algo que sempre parece estar um pouquinho a frente de nós... tipo a história do burrinho tentando pegar a cenoura, sabe. Mas na verdade, acredito que a felicidade tem que vir da gente, temos que ser a fonte, para que possamos ter a sensação de que ela é possível. E muitas vezes é.