27 julho 2009

Baader-Meinhof Blues

Drama recupera trajetória do grupo Baader Meinhof
SÃO PAULO (Reuters) - Indicado ao Oscar de filme estrangeiro 2009, "O Grupo Baader Meinhof" traz às telas uma versão quase documental sobre a organização terrorista RAF (Facção Armada Vermelha), que travou uma violenta guerra contra o establishment alemão e o "imperialismo americano" durante a década de 1970. O filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Longe de qualquer defesa ou ataque moral ao grupo de jovens idealistas, o drama relata como foram orquestradas as principais ações da RAF e as consequências da queda de braço com o Estado alemão. Mostra, assim, como a lógica extremista do "olho por olho" fez da luta por uma sociedade mais justa uma guerrilha urbana sangrenta com desdobramentos políticos internacionais. A veracidade do que se vê na tela tem uma explicação. O roteiro, assinado pelo produtor Bernd Eichinger ("A Queda! - As Últimas Horas de Hitler"), segue de forma fiel o livro "Der Baader-Meinhof Komplex", do jornalista Stefan Aust. Assim, traça uma linha temporal dos eventos que culminaram no que ficou conhecido como "Outono Alemão" (1977), com o dramático sequestro do avião Landshut, da Lufthansa, e a morte dos principais líderes da RAF. Tal como no livro, a história tem início em 1967, quando um estudante é baleado pela polícia durante um protesto. Nas revoltas estudantis que se deflagram a partir daí, une-se à causa a jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck, de "A Vida dos Outros") e o casal extremista Andreas Baader (Moritz Bleibtreu, de "Corra Lola, Corra") e Gudrun Ensslin (Hohanna Wokalek), que fundam o RAF. Com a ajuda de outros companheiros, eles planejam e executam elaborados planos de assalto a bancos, sequestros e ataques à bomba a prédios públicos. Enquanto isso, o comandante de polícia Horst Herold (Bruno Ganz, de "O Leitor") busca antecipar os passos do grupo, reelaborando as táticas policiais de combate ao terrorismo. Como o livro é baseado em documentos originais, grande parte dos diálogos travados no filme tem base real, trazendo ao espectador um retrato mais verossímil a tudo o que se vê. Coube ao diretor Uli Edel tornar atraente a complexa narrativa, que envolve mais de 200 personagens. O resultado é uma competente crônica da ascensão e declínio de um ideal e uma eficiente produção, que mescla informação e bom cinema, digna de sua indicação ao Oscar (prêmio concedido ao japonês "A Partida", de Yojiro Takita, ainda em cartaz nos cinemas). Com o filme, Uli Edel fecha também sua trilogia sobre diversas formas da violência: a política, "O Grupo Baader Meinhof"; a social, "Noites Violentas no Brooklyn"; e a autodestrutiva, "Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada e Prostituída". (Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)
(link trailer)

Facção Exército Vermelho

As raízes da Facção Exército Vermelho podem ser encontradas no movimento estudantil alemão dos anos 1960.
Inicialmente centrados na crítica à instituição universitária, os estudantes alemães da época viraram as suas atenções para eventos internacionais, como a Guerra do Vietname, a pobreza no Terceiro Mundo e a questão da energia nuclear. Os estudantes criticavam igualmente aquilo que lhes parecia ser a relutância da sociedade alemã em confrontar-se com o seu passado nazi. Para alguns, o Estado que vigorava na República Federal da Alemanha era uma continuação do Estado nazista. A 2 de Junho de 1967 o do Irã realizou uma visita oficial à cidade de Berlim. O movimento estudantil aproveitou a ocasião para efectuar uma manifestação de protesto contra as violações de direitos humanos que aconteciam no Irã, denunciando a aparente indiferença que o xá e a sua esposa demonstravam perante as classes mais desfavorecidas de seu país. Na noite de 2 de Junho os manifestantes concentraram-se junto à Ópera de Berlim, onde o xá deveria comparecer a um espectáculo. A manifestação revelou-se um fracasso, já que o xá não se apercebeu da presença das multidões. Diante da presença de manifestantes contra e a favor do xá, a manifestação rapidamente desembocou no caos, e um jovem estudante, Benno Ohnesorg, seria morto, depois de ser baleado por um policial. Entre os manifestantes encontrava-se Gudrun Ensslin, uma estudante de doutoramento da Universidade Livre de Berlim que, indignada com a morte de Ohnesorg, declarou que a única forma de responder à violência seria com violência. No Verão do mesmo ano, Gudrun Ensslin conhece Andreas Baader, que se tornaria o seu namorado. Juntos estariam na origem da Facção Exército Vermelho. Em Março de 1968 Gudrun Ensslin e Andreas Baader decidem passar à luta armada. Ajudados por Horst Söhnlein e Thorwald Proll, viajam até Frankfurt, onde decidem colocar bombas em dois estabelecimentos comerciais. Ninguém saiu ferido nos incêndios que se seguiram, mas os prejuízos materiais foram estimados nos dois milhões de marcos. Num telefonema à Agência de Notícias da Alemanha, Gudrun afirmou tratar-se de um acto de vingança política. Detidos a 4 de Abril de 1968, os quatro foram julgados e condenados cada um a três anos de prisão em Outubro do mesmo ano. Em Junho de 1969 os quatro incendiários foram libertados da prisão devido à apresentação de um recurso judicial. Quando o Tribunal Federal ordenou o regresso dos condenados à prisão, estes decidiram escapar. Söhnlein decide acatar a ordem, mas os outros três fogem para Paris, com a ajuda da irmã de Thorwald Proll, Astrid, refugiando-se no apartamento de Régis Debray. De regresso à Alemanha Ocidental, Baader e Ensslin procuraram recrutar militantes para as suas ideias; entre eles estavam Horst Mahler, um advogado que tinha defendido Baader durante o julgamento relativo aos crimes de Frankfurt e Ulrike Meinhof, jornalista de esquerda. Ao mesmo tempo procuraram adquirir armas que serviriam para assaltar bancos. Numa tentativa de conseguir armas num cemitério perto do Muro de Berlim, seguindo uma informação falsa dada por um trabalhador de uma fábrica (na realidade um agente da polícia), Baader é detido.
Gudrun Ensslin procurou então convencer Ulrike Meinhof a participar num plano cujo objectivo era libertar Andreas Baader da prisão. No dia 14 de Maio de 1970 Ulrike Meinhof encontrou-se com Baader no Instituto para as Questões Sociais, com a alegada justificativa de estar a escrever um livro sobre a juventude alemã. Enquanto a jornalista conversava com Baader na biblioteca da instituição, vigiada por um guarda, duas cúmplices ajudaram Gudrun Ensslin (armada e com uma máscara) e um simpatizante a entrar no edifício. Estes rapidamente libertaram Baader, tendo, no processo, disparado sobre o guarda e um funcionário da instituição. No dia seguinte surgiram pelo país cartazes com a fotografia de Baader e Meinhof nos quais se solicitavam informações sobre o paradeiro de ambos. A imprensa conservadora referiu-se ao grupo de fugitivos como o "Grupo Baader-Meinhof" e esta passaria a ser a designação popular pela qual o grupo seria conhecido. Em finais de Maio os fugitivos publicaram no jornal anarquista 833 um comunicado que anunciava a criação da Rote Armee Fraktion. Julga-se que o comunicado tenha sido escrito por Ulrike Meinhof. O período 1970-1972... Antes de proceder às suas acções armadas, os membros da Facção Exército Vermelho realizaram um treinamento na Jordânia, sob orientação da Frente Popular para a Libertação da Palestina. De regresso à Alemanha, em Agosto de 1970, os militantes planearam assaltos a quatro bancos para arrecadar dinheiro e armas, actos executados em Setembro do mesmo ano. Também foram realizados ataques contra edificios militares dos Estados Unidos, postos policiais e edifícios do império jornalístico de Axel Springer, além da tentativa de assassinato de um juiz. Novos recrutas uniram-se à organização: Jan-Carl Raspe, Marianne Herzog e Ali Jansen. Em manifesto escrito por Meinhof, aparece pela primeira vez o nome RAF, com a estrela vermelha e a metralhadora Heckler&Koch MP5. Depois de uma intensa investigação, Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Ulrike Meinhof, Holger Meins e Jan-Carl Raspe são novamente detidos, em junho de 1972, permanecendo encarcerados na prisão de segurança máxima de Stuttgart - Stammheim - construída expressamente para abrigá-los em celas isoladas, sem contato entre eles, enquanto as visitas familiares só eram permitidas a cada duas semanas. Ainda assim, Ensslin concebeu um "circuito de informação", definindo um apelido para cada um dos membros do grupo. Assim, mediante cartas que faziam circular através de seus advogados, conseguiram permanecer em contato.
Após 1972... Para protestar contra as condições em que se encontravam, iniciaram várias greves de fome coordenadas; finalmente receberam alimentação forçada. Meins, no entanto, morreu em 9 de novembro de 1974, pesando apenas 60 kg. Depois de vários protestos públicos, as condições do grupo foram melhoradas pelas autoridades. Em 21 de maio de 1975, começou o julgamento de Baader, Ensslin, Meinhof e Raspe, conhecido como o "Julgamento de Stammheim". Em 9 de maio de 1976, quando se festejava o dia das mães na Alemanha, Ulrike Meinhof foi encontrada morta em sua cela, enforcada com uma toalha. A investigação concluiu que se tratara de suicídio, conclusão bastante contestada. Finalmente, em 28 de abril de 1977, os três acusados sobreviventes foram declarados culpados de vários assassinatos, tentativas de assassinato e de formação de organização terrorista. Foram sentenciados a prisão perpétua. Em 13 de outubro o vôo LH181 da Lufthansa, que ia de Palma de Maiorca para Frankfurt, foi sequestrado por um grupo árabe. O vôo foi desviado, seguindo para Dubai, (Emiratos Árabes Unidos) via Larnaca, (Chipre), e de lá para Oman, onde o comandante Jürgen Schumann foi morto, em 16 de outubro. De lá, o avião decolou novamente, conduzido pelo co-piloto Jürgen Vietor, com destino a Mogadíscio, Somália. Os nomes de Baader, Ensslin e Raspe constavam da lista de 13 presos cuja libertação era exigida pelos seqüestradores que, todavia, acabaram mortos por um comando de soldados alemães, especializado na luta antiterrorista, que invadiu o aparelho no aeroporto de Mogadíscio e libertou todos os passageiros. Em 18 de outubro de 1977, Baader e Rasper foram encontrados mortos, com ferimentos a bala. O Ministério da Justiça de Baden-Württemberg, onde fica o presídio, informou que ambos se haviam suicidado com tiros de pistola e que Ensslin se enforcara na cela. Acrescentou que a outra presa, Irmgard Moeller, de 30 anos, também tentara o suicídio, cortando as veias do pulso e do pescoço, sendo hospitalizada em estado grave. O porta-voz do Ministério não informou contudo, como o grupo havia conseguido as pistolas, de uso exclusivo das Forças Armadas da Alemanha. Irmgard Möller, embora ferida, sobreviveu. Foi liberada da prisão em 1994. Reação estatal... Em resposta aos ataques, as autoridades da República Federal Alemã aprovaram uma série de medidas legislativas que, na sua visão, ajudariam a combater a actividade da Facção Exército Vermelho. A 28 de Maio de 1972 o chanceler Willy Brandt e a Conferência de Presidentes dos Estados assinaram um decreto através do qual os funcionários públicos deveriam jurar fidelidade à Constituição da República Federal Alemã. A 1 de Janeiro de 1975 entraram em vigor as chamadas "leis Baader-Meinhof", que autorizavam os tribunais a excluirem advogados que defendessem um cliente sobre o qual pesassem suspeitas de associação criminosa. A 30 de Setembro de 1977 o parlamento aprovou a "Lei de Interruptação dos Contactos" que permitia que um juiz decretasse a interdição de contactos entre revolucionários condenados


A preguiça em escrever este texto e a vontade de não subverter a informação justificam o control+c e o control+v
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Baader-Meinhof Blues
Legião Urbana
A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.
Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.
Essa justiça desafinadaÉ tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?
Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado é independente.
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.

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